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 06.02.2009 | Literatura |

Livros e filmes, ao sabor de vinho tinto, estiveram em discussão no Chiado

 

António Pedro Vasconcelos, Pedro Mexia e Nuno Artur Silva reuniram-se ontem, na Bertrand do Chiado, para conversar sobre a adaptação cinematográfica de obras literárias. «Não é possível uma adaptação entre duas linguagens diferentes», diz Mexia.

 

«A única maneira de adaptar um romance é desrespeitá-lo», disse o cineasta António Pedro Vasconcelos, no encontro Ler no Chiado, subordinado ao tema «Este mau filme era um bom livro?» que decorreu ontem, 5 de Fevereiro, na Bertrand do Chiado. Nuno Artur Silva, autor, fundador e actual director-geral das Produções Fictícias, e Pedro Mexia, escritor, crítico literário e subdirector da Cinemateca Portuguesa também marcaram presença na tertúlia que deslizou ao sabor de um copo de vinho tinto, muita literatura e cinema. A moderação esteve a cargo da jornalista Anabela Mota Ribeiro.

 

Não demorou muito tempo até o público esgotar os lugares sentados, na sala dedicada à arte da Bertrand, para assistir à sessão mensal que decorre todas as primeiras quintas-feiras do mês. «Gosto muito desta livraria porque é das poucas que cheira a papel», diz uma senhora, já dos seus sessenta para cima, que veio assistir à tertúlia com outra amiga. Logo na primeira fila, antes de o debate começar, outra participante lê Nada de Melancolia, livro de crónicas de Pedro Mexia. Há também quem prepare o bloco de notas para começar a tirar apontamentos. É ao sabor de um copo de vinho tinto, distribuído pela Bertrand, que a sessão se inicia.


Nuno Artur Silva começa por dizer que «quanto mais literária é uma obra, mais difícil se torna adaptá-la». O responsável pelas Produções Fictícias dá como exemplo o filme Blade Runner (1982), de Ridley Scott, que é na sua opinião muito melhor do que o livro em que se baseou – Blade Runner: Perigo Iminente (1968), de Philip K. Dick. «Quando se adapta um romance deve-se pegar num ‘fait-diver’, ou seja, desrespeitá-lo» nota António Pedro Vasconcelos.

 

O Leopardo (1963) de Luchino Visconti é para Vasconcelos «um grande filme» que resultou da adaptação do «grande romance» de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, com o mesmo título. «Uma excepção que não confirma a regra», reconhece o cineasta português, que destaca ainda Orson Wells como um dos poucos realizadores com adaptações bem sucedidas de obras literárias. Pedro Mexia não acredita na adaptação: «Não é possível uma adaptação entre duas linguagens diferentes». O crítico literário prefere um realizador que utiliza palavras como 'inspirar-se' ou 'basear-se'.

 

O único romancista português actual que António Pedro Vasconcelos gostaria de adaptar seria João Tordo, mas tal revela-se impossível porque o cineasta não é capaz de passar os livros do escritor para o cinema. «O cinema fica muito aquém da literatura. Se tivesse de escolher entre um filme ou um livro para levar para uma ilha, escolhia um livro», remata o cineasta português.

Eduarda Sousa
 
etiquetaEtiquetas: Pedro Mexia, António Pedro Vasconcelos, Nuno Artur Silva, Bertrand, Anabela Mota Ribeiro, Philip K. Dick, João Tordo, Luchino Visconti, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Ridley Scott, Orson Wells,  
 
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