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Um tesouro.
Do mesmo artista
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apontador OK Computer, 1997

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 Música  |

In Rainbows

 Radiohead, 2007

 

 

Dissociado. Catatónico. Condições base, necessárias!
Ambiente estéril. Não ser influenciado, nem influenciar. Não contaminar. Nem ser contaminado.
Ser capaz da imparcialidade. Arrumar logo com a parcialidade da etiqueta: «São os Radiohead».
O passado e a história pesam na avaliação, daí a necessária abstracção da realidade.

Não encaixar o álbum aqui e acolá, ultrapassar etapas do fuso cronológico, colar pedaços entre uma era e outra.

Pós-Ok Computer e pré-Kid A?
Mais guitarra, menos electrónica?
Mais acústico, menos barulhento?
Estou catatónico. Incapaz de pormenores incisivos e análises frias.
Deixo para outros preciosismos do género.
Afinal a maioria das canções já possui um vasto número de quilómetros nas pernas, tendo sido testadas ao vivo em vários concertos.

«Yeahhhh» do coro de crianças da primeira música, 15 Step.
Ouvi eu com atenção? Ilusão auditiva causada pelo genuíno entusiasmo das primeiras batidas, dos primeiros acordes de In Rainbows? Ou fará parte do recheio, é real? Tudo na mesma faixa, combinados perfeitamente são um bom agoiro. Um bom ponto de partida, portanto.
Entra riff de baixo na segunda música, arranjos de orquestra acompanhados de voz espacial na terceira.
Estarão todos os sentidos em alerta? Porque nem só a audição é activada. Parece palpável, toca-nos. Tem uma textura, uma infinidade de mudanças de ritmo, inúmeros pormenores espalhados como partículas de pó aqui e acolá que a certa altura pousam da sua viagem e aterram nos nossos ouvidos. Dando a sensação do toque.

Depois existem devaneios de guitarra, sem amarras feitas de acordes.
Existe um denominador comum, a voz. Sempre presente, despida de efeitos na Nude, flutuante e difusa enfiada dentro do aquário na Weird Fishes/Arpeggi.

Depois tudo se mistura de novo. Tudo volta a simplificar-se no final.
Combinam todos os elementos, unificando-se num grande e sólido álbum?
Partem em várias direcções, cada música com seu rumo, funcionando cada música de forma egoísta, em forma de hino, sozinha na escolha pessoal de cada fã?
Inúmeras questões, apenas respondidas pelo tempo.

 

Radiohead tem esta fórmula. O rótulo pode indicar o ano da colheita, mas a forma como ele amadurece é pessoal e intransmissível. Pode tentar-se a previsão, lançar o prognóstico, mas a verdade só vem depois de repetidas audições.
É assim que funciona comigo. Derruba logo a barreira da fasquia elevada fazendo-a cair ou a gravidade morre e ela flutua, quiçá, até patamares mais elevados. O tempo que dite a altura, que ajude no questionário e forneça as respostas para as dúvidas.
No presente, o tempo que já passou, pronunciou o veredicto de bom, fantástico e lindo. Pequenas peças de puzzle que encaixam e no final formam um tesouro.

Fará dele uma obra-prima ou apenas hype do momento, deixem-no a ele – tempo – o papel principal de servir de juiz.


Porque eu, como jurado, só alinho numa sentença. Aquela que a lei obriga a várias repetições, feitas por gosto e por vontade. E que se determine, por decreto, que os últimos versos, da última canção, Videotape, sejam apenas isso mesmo, uma letra, não um aviso, uma mensagem subliminar de quem escreve: «This is my way of saying goodbye/ Because i can't do it face to face.»

 


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Comentários

IM
07-11-2007
...In Rainbows..decididamente um bom álbum...não o melhor, para mim...este comentário está muito bom...cheio de perguntas...cheio de aberturas...penso que o me melhor aqui traduz o que o álbum é esta feliz expressão:"Tem uma textura, uma infinidade de mudanças de ritmo, inúmeros pormenores espalhados como partículas de pó aqui e acolá que a certa altura pousam da sua viagem e aterram nos nossos ouvidos. Dando a sensação do toque".
IM
Rodrigo
18-10-2007
Você disse tudo... tudo que eu senti ao ouvir o novo álbum. Não consigo comentar...mas consigo sentir.Não há como comparar nada...é algo novo sem dúvida!
Preciso ver essa banda ao vivo no Brasil!!!!
rafa rafa
17-10-2007
tb concordo! em se tratando de radiohead, só posso dar uma avaliação completa depois de algumas (leia-se:varias) escutadas!
mas até agora... não parece a vcs q é uma grande mistura de todos os outros albuns anteriores??
PS: Arpeggi é a melhor do album e a melhor canção de amor q Yorke já fez!
House of Cards distoa do album! Péssima!
Sílvio Mendes
16-10-2007
Hail to the Thief é um álbum fenomenal.

Mais do Mesmo?
Ainda bem!

In Rainbows já me está no sangue.
O resto é liberdade de escolha.
sm
13-10-2007
Como em tudo, ha sempre uma fase de declinio, parece-me que os Radiohead começam a entrar nessa fase. O anterior Hail to the Thief também não vinha acrescentar muito mais ao trabalho do Radiohead e a prova é que quase passou despercebido . Este, gerou alguma agitação pela forma incomum como foi posto á venda, salva-se a atitude. Quero no entanto acreditar que este é apenas um album menos bom e melhores dias virão...
Fernando
13-10-2007
In Rainbows é mais do mesmo, não leva risco nenhum.
Bruno Morim
12-10-2007
Concordo com o Miguel, e foi isso que me cativou no seu texto, É ainda muito cedo para julgar, contudo apreciei bastante o que já ouvi. Só o tempo fará com que o esqueça numa estante, ou que não o consiga tirar da minha cabeça.....Videotape já de lá não sai.....
Abraço!
Francisca Teixeira
11-10-2007
Sim senhor, aqui está um comentário digno destes senhores e que traduz realmente aquilo que eu senti quando o ouvi. Todas as suas descrições assentam perfeitamente nas minhas percepções. Parabéns pelo escrito e também por ter sido humilde o suficiente para não o julgar já, estando obrigado, primeiramente a passar por "várias repetições, feitas por gosto e por vontade". Coisa que falta a muitos.
Cumprimentos, Francisca Teixeira

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